A montagem da 39ª edição do Carijo da Canção Gaúcha segue em ritmo acelerado no Parque Municipal de Exposições de Palmeira das Missões. Durante entrevista concedida na manhã dessa terça-feira (19), o presidente de honra do festival, Hermes Garcia, relembrou a criação do evento, destacou a evolução da estrutura ao longo das décadas e reforçou a importância cultural e comunitária do Carijo.
Um dos fundadores do festival e integrante das primeiras comissões organizadoras, Hermes recebeu homenagem da atual edição e afirmou que o reconhecimento representa a continuidade de um trabalho coletivo e apartidário mantido ao longo dos anos.
Segundo ele, a origem do Carijo remonta a 1982, quando foi criada a Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo do município. À época, o então prefeito Lourenço Ardenghi convidou Hermes Garcia para implantar a pasta, em meio a questionamentos sobre a viabilidade do turismo em Palmeira das Missões.
Origem ligada à cultura e ao turismo
Conforme o presidente de honra, a criação de um festival nativista surgiu como alternativa para fortalecer o turismo local. A consolidação da ideia ocorreu após a realização do 31º Congresso Tradicionalista Gaúcho no parque de exposições, quando participantes destacaram a estrutura diferenciada do espaço.
Hermes explicou que, ao contrário de outros festivais tradicionalistas, o Carijo reuniu no mesmo local o palco principal e o acampamento, fator considerado decisivo para o sucesso do evento.
O nome “Carijo” foi sugerido pelo pesquisador Mozart Pereira Soares. Segundo Hermes Garcia, a denominação faz referência ao sistema coletivo de secagem da erva-mate, simbolizando integração e convivência comunitária.
Crescimento do festival
Durante a entrevista, Hermes relembrou que a primeira edição teve grande público, com necessidade de fechamento das bilheterias devido à lotação, apesar da estrutura ainda improvisada do parque.
“Atualmente, isso aqui virou uma verdadeira cidade”, afirmou, ao destacar o crescimento físico do acampamento e a participação intensa da comunidade durante os dias do festival.
O dirigente também ressaltou a importância do Carijinho, que já soma 23 edições voltadas à descoberta de novos talentos da música regional. Segundo ele, a fase local realizada recentemente surpreendeu pela qualidade dos jovens participantes.
Festival apartidário e participação da comunidade
Hermes Garcia enfatizou que o Carijo sempre manteve caráter apartidário, sendo preservado por diferentes administrações municipais ao longo da história.
Ele também destacou o envolvimento da comunidade desde as primeiras edições, lembrando que lideranças e organizadores percorriam o comércio local incentivando a decoração das vitrines e estabelecimentos com referências ao festival.
Outro ponto abordado foi a importância do público durante as apresentações artísticas. Hermes fez um apelo para que a comunidade participe da abertura oficial e prestigie os músicos no pavilhão principal.
“O artista precisa ver a casa cheia e sentir o reconhecimento do público”, afirmou.
Mudanças e sugestões para o futuro
Na entrevista, Hermes avaliou positivamente a mudança da finalíssima para o sábado à noite, medida adotada para reduzir riscos de acidentes nas viagens de retorno dos participantes.
Ele também sugeriu que eventos paralelos, como competições de dança e trova, possam futuramente ocorrer em datas separadas, deixando os quatro dias do Carijo concentrados exclusivamente no festival da canção.
A 39ª edição do Carijo da Canção Gaúcha terá início oficialmente neste sábado (23), no Parque Municipal de Exposições de Palmeira das Missões.
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